sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O museu

O Museu de História Natural e Jardim Botânico (MHNJB) da UFMG enquadra-se na categoria de museus de ciência possuindo uma integração entre espaços expositivos internos temáticos constituídos de 6 galerias de exposição (Arqueologia, Mineralogia, Paleontologia, Presépio Pipiripau, Espaço Ciência e Exposições Temporárias) e uma área externa de mata protegida. Ele ocupa uma área de 600 000 m2, sendo uma das maiores áreas de mata preservada na cidade de Belo Horizonte. Nela podemos encontrar exemplares significativos da fauna e da flora brasileira, edificações que marcaram o processo de transferência da capital e espaços expositivos. Na área da cultura popular ganha destaque o Presépio do Pipiripau. Além dessa diversidade natural, esta instituição conta com um acervo museológico formado por coleções de mineralogia, paleontologia, arqueologia e botânica abertas à população. Nesse espaço, em 2003 havia duas exposições interativas de ciência apresentadas ao público de forma lúdica e divertida.

A exposição

A exposição permanente “Física Divertida”, localizada no Espaço Ciência, explora de forma lúdica várias ideias e conceitos científicos. A sua proposta é associar a Física à criatividade e ao prazer da descoberta através de experimentos simples e divertidos que depois os visitantes podem recriar em suas casas ou na própria escola, usando materiais reciclados e de baixo custo (CENEX - UFMG, 2002).
Esse ambiente apresenta aspectos estéticos, como estratégia de atrair o público, caracterizada por despertar ações através de estímulos aos sentidos humanos. Desta forma, além de se preocupar com o lado científico há também a preocupação com a interatividade entre o público e os objetos museais, chamando a atenção pelo seu visual (cor, forma, efeitos curiosos e instigantes, etc.) e pela facilidade de promover a interatividade direta.
Nessa exposição são encontrados os seguintes objetos:
· Roda quadrada.
· Ondas Helicoidais.
· Caleidoscópio gigante.
· Truque da bailarina.
· Cadeira de pregos.
· Espelhos curvos.
· Levitação.
· Bolhas gigantes.
· Entortando linhas paralelas.
· Padrões de Moiré.
· Pêndulos sensíveis.

O obejto

Definimos como objeto de investigação os pêndulos sensíveis, pois ele permite ao visitante interagir diretamente, através de uma manivela, fazendo com que os pêndulos oscilem um de cada vez, e em grande amplitude. Mas para isso a mão do visitante deve oscilar na freqüência de ressonância de cada um dos pêndulos.

Procedimento

No dia 28 de janeiro de 2003 pela manhã, fomos ao MHNJB para acompanhar algumas visitas à exposição Física Divertida. O grupo observado foi formado por 20 crianças e 10 adolescentes do Núcleo de Apoio à Criança e ao Adolescente do Bairro Cabana, região oeste de Belo Horizonte.
Fixamos a câmera próximo ao objeto denominado “Pêndulos Sensíveis” da exposição, para podermos estudar a interação dos visitantes com ele. Escolhemos esse objeto devido à sua capacidade de oferecer uma interatividade direta de fácil reconhecimento e ser comumente presente em exposições museus e centros de ciências.
Nessa observação o visitante que mais nos chamou a atenção foi Rudner (todos os nomes utilizados na descrição do acompanhamento da visita são fictícios), uma criança que demonstrou grande interesse pelos pêndulos sensíveis, portanto interagiu por mais tempo com o objeto. Devido a esse fato, pedimos para o monitor realizar uma entrevista com essa criança a respeito da sua visita àquela exposição e de sua interação com os pêndulos sensíveis. Essa entrevista durou cerca de 7 minutos e não possuía um protocolo inicial.
A filmagem foi de extrema importância para facilitar a análise do acompanhamento, pois assistindo à fita foi possível construir o quadro de narrativa (Villani, 2002) deste estudo, e através dele fazer uma análise mais detalhada do que aconteceu, descrevendo as ações do monitor e dos visitantes e os tempos envolvidos nas interações com o objeto da exposição.

A visita

00:00-O grupo chega à exposição. A câmera já está apontada para os pêndulos sensíveis. Rudner e seus colegas levantam as esferas e comparam o peso de uma esfera com as outras. Imediatamente o monitor se aproxima e propõe a explicar como funciona o aparelho. Ele pára os pêndulos e faz uma demonstração mexendo apenas o pêndulo de maior comprimento, ao mesmo tempo chamando a atenção para o rítimo da oscilação da manivela e do pêndulo. O Rudner fica ao lado do monitor e observa atentamente (Duração 01:40)

01:40-Uma garota que também observava a demonstração é a primeira a tentar, porém ela não obtém sucesso. Rudner então afasta esta garota e começa a interagir com os pêndulos. Ele começa parando os pêndulos, preparando-os para iniciar a sua tentativa. Quando ele começa a oscilar a manivela, a freqüência da sua oscilação faz apenas o pêndulo de menor comprimento oscilar com grande amplitude. Os companheiros de Rudner se espantam com o acontecimento e começam a chamar todos para ver o que estava acontecendo.
Rudner sorri e o monitor o incentiva a continuar tentando com outro pêndulo.
Ao iniciar a nova tentativa, ele começa a oscilar a manivela com uma pequena frequência e aos poucos vai ajustando a frequência da manivela com a frequência de oscilação do segundo menor pêndulo. Imediatamente o monitor pára os pêndulos e pede para que ele repita com o 3º pêndulo. Ele reinicia só que novamente com uma frequência alta de forma que o menor pêndulo começa a oscilar primeiro. Imediatamente ele diminui a frequência de oscilação e aos poucos vai ajustando com a frequência do 3º pêndulo.Finalmente o monitor pára os pêndulos e pede para que ele faça oscilar o 4º pêndulo (o de maior comprimento). Antes de começar Rudner já exclama que vai bater o record. Ao atingir o seu objetivo ele sai feliz exclamando que bateu o record, e parte para os outros aparelhos da exposição (Duração 01:50)

03:30-Rudner sai para explorar os outros aparelhos da exposição (Duração 05:16)

08:46-Rudner volta a interagir com os pêndulos e novamente exclama que bateu o record (Duração 01:40)

10:46-Entrevista com o Rudner. E mais uma interação sua com os pêndulos (Duração 07:14)

18:00-Despedida da turma (Duração 01:30)

Entrevista com Rudner

[10:46]
Monitor: O que ce mais gostou aqui?
Rudner: Desse aqui.//- [Rud fala apontando para os Pêndulos Sensíveis].
Monitor: Por que você gostou?
Rudner: Porque ele é bem melhor pro cê brincá.
Monitor: Qual desses negócios aqui você teve que mexer a manivela mais rápida? [O monitor fala apontando para os pêndulos]
Rudner: Esse aqui. [Falou apontando para o pêndulo de menor comprimento].
Monitor: É este aí que você tem que mexer mais rápido?
Rudner: Rhum, rhum. [Balançou a cabeça em um sinal de positivo]
Monitor: E qual tem que mexer mais devagar?
Rudner: Esse aqui. [Falou apontando para o pêndulo de maior comprimento]
Logo após a responder às perguntas o Rudner voltou novamente ao brinquedo, e mostrou qual dos pêndulos balançava mais rápido e qual balançava mais devagar.

Reflexões Sobre Interatividade e Formação de Conceitos Científicos

Podemos observar no quadro de narrativa, que Rudner se interessa fortemente pelos pêndulos sensíveis, pois ele não só interage diretamente com o aparelho explorando-o completamente, como retorna várias vezes aos pêndulos depois de passar pelos outros aparelhos da exposição, interagindo com o objeto por mais tempo que os seus colegas. Segundo FALK, citado por GASPAR (1993) o comportamento do visitante durante uma interação com um objeto de exposição e o tempo que ele gasta nessa interação, analisados simultaneamente, podem oferecer indicações da eficiência do objeto da exposição em reação à aprendizagem do visitante.
A entrevista com Rudner indica que o motivo do seu maior interesse pelo objeto pode ter sido o fato dele oferecer a possibilidade de uma interatividade direta, como ele expressa na fala “Porque ele é bem melhor pro cê brincá”. Rudner executou ações sobre a manivela, e observando a reação dos pêndulos foi se ajustando para conseguir atingir o objetivo. Ou seja, ele ajustou a sua ação para obter a resposta desejada. Este fato caracteriza a interatividade direta, e como podemos notar desencadeou um grande interesse do visitante pelo aparelho.
Inicialmente o interesse de Rudner ficou evidente quando o monitor fez uma demonstração com o aparelho. Ao notar que uma colega não estava conseguindo atingir o objetivo do aparelho, foi logo tomando a frente e iniciou a sua tentativa.
Foi possível notar também a importância da interatividade sócio-cultural nesse caso, pois o fato de Rudner obter sucesso na interação com os “Pêndulos Sensíveis” chamou a atenção dos outros colegas, e isso parece que funcionou como um estímulo para que ele continuasse interagindo com o objeto.
A interatividade reflexiva também é estimulada neste ambiente, através de um cartaz que se encontra junto aos “Pêndulos Sensíveis”:

“Execute um movimento de vai-e-vem com a manivela, sempre no mesmo rítimo. Aos poucos, torne o movimento mais rápido. Você pode usar este aparelho para explicar como é possível selecionar uma rádio (AM ou FM) ou uma estação de TV. As várias estações transmissoras emitem continuamente sinais em diferentes faixas de freqüência. Ao sintonizar o seu rádio ou televisor você fixa a sua freqüência de recepção. Com isso o aparelho fica sensível apenas à freqüência selecionada. No caso dos pêndulos, é como se você tivesse vários aparelhos sintonizados em emissoras diferentes (os diversos pêndulos), com uma única ação (no caso o vai-e-vem da manivela).” (CARTAZ)

O texto do cartaz resgata objetos que estão ausentes na exposição, mas presentes na memória do visitante. Ele é levado a executar uma reflexão associada ao aparelho que está presente na exposição. Este fato caracteriza fortemente a interatividade reflexiva.
Neste cartaz encontramos o uso da linguagem científica usada para descrever o processo de transmissão e recepção de sinais e a seleção da freqüência recebida. O conceito científico de freqüência é citado várias vezes de uma forma que o visitante tem a possibilidade de relaciona-lo com a interatividade do objeto.

"Mais rápida" e "mais devagar"

Na entrevista que aconteceu durante a visita, o monitor usa os termos “mais rápida” e “mais devagar” para se referir à maior e menor freqüência de oscilação da manivela. Se tivesse usado o termo freqüência, provavelmente teria dado ao visitante a oportunidade de se familiarizar com essa palavra.
Os termos “mais rápida” e “mais devagar” normalmente são usados para se referir à taxa de variação de alguma grandeza. Na maioria das vezes estes termos são usados para comparar velocidades, mais rápida significa maior velocidade, mais devagar significa menor velocidade. Porém, neste caso eles foram usados de forma a tentar substituir o conceito de freqüência, prejudicando o seu significado.
Neste caso, a interatividade direta tornou a experiência divertida, portanto mais interessante para Rudner. Porém, experiências lúdicas como essa podem ser apoiada em intervenções didáticas e intenções educativas, para que não seja desperdiçada uma oportunidade de ensinar um conceito científico, ou tornar a linguagem científica algo acessível aos visitantes.
Destacamos a intenção da exposição de estimular a interatividade reflexiva, através da aproximação da descrição do funcionamento da sintonia de rádios ou estações de TV com os pêndulos sensíveis, apesar desta intenção ser positiva não podemos afirmar que ela ofereça um compreensão dos conceitos aos visitantes. Outros elementos expositivos, por exemplo contendo a comparação dos pêndulos com o funcionamento do rádio e da televisão, ou que induzisse uma reflexão no visitante sobre o conceito de freqüência e pudesse compara-lo com outros conceitos como o de velocidade, poderiam auxiliar nessa compreenssão.
Outra sugestão que poderíamos fazer a cerca da exploração dos “Pêndulos Sensíveis”, seria com relação à atuação do monitor. O monitor que coordena a visita, além de ter claro alguns conceitos fundamentais como freqüência e velocidade, também poderia estimular a formação destes conceitos através da interatividade com o aparelho.Um exemplo bem sucedido que podemos citar é o caso da Estação Ciência da USP, (LENCIONE, 2002) onde cada exposição tem monitores que desenvolvem e dominam os conceitos da área onde atuam. A exposição de física é apresentada por vários estudantes da graduação do curso de física, que sendo assim, têm uma noção melhor dos conceitos a serem trabalhados por cada montagem

Enfim a interatividade em Museus de Ciência

Em “Principios Fundamentales de la Museología Científica Moderna”, Wagensberg (2001) afirma que os museus de ciência são espaços dedicados a criar estímulos a favor do conhecimento e do método científico nos visitantes, e promover a formação da opinião científica dos cidadãos. E para atingir esse objetivo, é necessário que o visitante saia de uma exposição com uma maior capacidade de elaborar perguntas sobre determinado tema do que quando iniciou a vista. Uma boa exposição provoca uma mudança no visitante, por isso Wagesberg considera que o museu é um instrumento de transformação social.
Para esse autor os melhores estímulos para um cidadão se envolver com a ciência são os mesmos estímulos que estimulam um cientista na prática da ciência. Os museus devem, então, perceber os verdadeiros estímulos da prática científica para poderem planejar suas exposições.
Nos museus esses estímulos são provocados durante a interação dos visitantes com os objetos presentes no ambiente da exposição. Para Wagensberg (2001) as interações podem ser qualificadas da seguinte forma:
a) Interatividade[1] direta (Hands on).
b) Interatividade mental (Minds on).
c) Interatividade sócio-cultural (Heart on).
Em uma interatividade direta o visitante assume o papel de um cientista, investigando, experimentando, manipulando, controlando, etc. Já com interatividade mental é possível praticar a inteligibilidade da ciência, distinguir o essencial do acessório, sair do objeto do museu e associar as suas idéias com a vida cotidiana e com outros casos que pode corresponder à mesma essência.
Como a ciência é universal, mas a realidade onde ela se manifesta não, será possível observar que alguns comportamentos específicos dos visitantes estarão ligados à interações com seu grupo, sua cultura e suas emoções. Neste caso, trata-se da interatividade sócio-cultural.

“O centro de ciências proporciona às crianças uma experiência ao mesmo tempo solitária e social. Muitas fazem observações sozinhas para depois partilhar sua experiência com os colegas e, de forma geral, essa partilha e outros comportamentos cooperativos são dominantes. A interação social com seus pares é o comportamento que prevalece.” GASPAR (1993)

Segundo as autoras Gruzman e Siqueira (2007), é possível perceber que, cada vez mais, a relação museu-público torna-se uma temática presente nos diferentes fóruns de discussão preocupados com o alcance, abrangência e a qualidade de ações promovidas pelo espaço museal. Esse fato é justificado pelo aumento, ao longo da história, da preocupação com a educação e divulgação científica e o papel que os museus desempenham na compreensão pública das ciências. As autoras também destacam os estudos de Gohn (1999) sobre o tema da educação não-formal. Elas argumentam que a educação ganhou importância na era da globalização pelo elevado grau de competitividade que ampliou a demanda por conhecimentos e informação. É possível reconhecer que múltiplos espaços contribuem com o desenvolvimento de atividades no âmbito da educação não-formal.
Nos museus de ciências as exposições interativas, independente dos tipos de interatividade que elas possam promover, são muito comuns seguindo os modelos dos sciences centers, e podemos identificar desde a interatividade direta através de um acionamento de botões que desencadeiam o funcionamento de aparelhos, até situações de interatividade mental nas quais o visitante pode estabelecer um verdadeiro diálogo com os objetos de exposição criados especificamente para exibir um fenômeno, pois podem controlar alguns dos parâmetros que determinam o comportamento do fenômeno exposto.
Porém, se há uma preocupação em promover a apropriação de conceitos, a interatividade não pode ser a uma única garantia de êxito. Ela precisa estar atrelada a uma concepção clara de intervenção didática que pode ser estabelecida nos museus de ciências. As exposições devem perseguir a efetividade nas intenções educativas, ou seja, procurar criar ambientes nos quais os visitantes possam compatibilizar suas concepções em relação ao saber científico.
Os museus de ciências são percebidos não somente como um local de lazer, mas também como espaços educativos, onde as comunidades se encontram e se expressam, e têm a possibilidade de viverem situações de aprendizagem livre de formalidades. O sucesso do papel educativo em um museu depende, dentre outros fatores, da eficiência da comunicação entre o museu e o visitante. Uma das maneiras de estabelecer esta comunicação é através da interatividade entre os objetos de exposição e o visitante, e esta se encontra diretamente ligada à valorização da dimensão educativa nestes espaços (NASCIMENTO, COSTA e AMARAL, 1999).
Foi possível percebermos através de nossa revisão bibliográfica, que não há muitos trabalhos de pesquisas publicados sobre o papel educativo interatividade em museus de ciência. Apesar de alguns trabalhos tratarem do conceito de interatividade nesses ambientes educativos, não há um consenso na forma como se utiliza esse conceito para avaliar o processo ensino-aprendizagem.
“Deve ser ressaltada, contudo, a ausência de consenso quanto ao conceito de interatividade, particularmente no âmbito das exposições de divulgação científica. Velarde (1992, p. 662) qualifica de “interativos” quaisquer objetos ou aparatos dependentes de uma ação (eletrônica ou mecânica) do visitante para seu funcionamento.” (LOUREIRO, 2007, p. 3)
“Lourenço (2000, p. 61), por sua vez, denomina “participativos” os objetos que solicitam qualquer tipo de ação dos visitantes, ressaltando a possibilidade de diferentes graus de participação. Adverte que o termo interatividade seria importada do campo da informática e implicaria “possibilidades teoricamente infinitas (contínuas) de reciprocidade”.” (LOUREIRO, 2007, p. 3)

No entanto, nos propomos a realizar nesse trabalho um ensaio para o conceito de interatividade, com a intenção de contribuir para a construção de um quadro teórico e metodológico de análises de práticas educativas em espaços não escolares, em uma perspectiva sócio-interacionista.

“Uma abordagem comportamentalista restrita, limita o "ato da visita" à aquisição temporal de conceitos sem levar em conta noções como interação, apropriação e criação de significado. Por outro lado, uma abordagem sócio-interacionista considera o ato de visita desde o momento onde o grupo escolhe uma opção de lazer até o retorno ao lar e as lembranças da visita alguns dias, semanas ou meses depois.” (NASCIMENTO e COSTA, 2002)
[1] Nesse trabalho optamos por considerar o conceito de interatividade como uma qualificação quanto ao tipo de interação que pode ocorrer entre objetos presentes em um ambiente da exposição de um museu e os sujeitos presentes nesse mesmo ambiente.